Vingança e paixão
(Anita)
“A vingança é um prato que
se come frio...” Pensei...
Sentada no escritório de
advocacia e sentindo a dor da perca de meus pais, precisava descarregar a
revolta característica dos meus 17 anos em alguém... E o candidato mais próximo
foi o mensageiro das más notícias: O Advogado.
“Ele ainda vai me pagar por
tantos desmandos...” Continuei com meus pensamentos virulentos...
O advogado da família olhou
para a adolescente com cara de poucos amigos e pensou: “Sempre me surpreendo
com tamanha beleza!”
No entanto disse em voz
alta: Querida, todos os bens foram vendidos, menos a mansão onde vocês moravam,
pois é uma propriedade em “usufruto”...
Lilian pensou: “O Safado
tentou vender até a minha casa...” Como pude achar esse pústula lindo, quando
ele ia lá em casa?
Eduardo continuou com suas
explicações monótonas sobre bens e negócios...
Mas a “princesa” estava
ocupada demais em sua dor e revolta para prestar atenção... E acordou de seu
estupor de autopiedade ao ouvir: “Serei seu tutor durante esses meses até você
completar 18 anos... Qualquer dificuldade que você tenha com os empregados pode
entrar em contato por este telefone particular...” E Eduardo estendeu um pequeno
cartão...
A “princesa” lançou seu
olhar gelado e nada disse...
- Lilian, você está entendendo
o que vai acontecer daqui para frente? Você não precisa se preocupar... Seu pai
deixou tudo nas mãos do escritório e eu fiquei responsável por sua conta...
Quando você terminar o Ensino Médio poderá escolher... No final do ano
procuraremos uma boa escola para você...
Nos meses em que tiveram
contato frequente, Eduardo e Lili, mantiveram um relacionamento turbulento,
pois ela ainda com as características da adolescência, se achava no direito de
tomar as próprias decisões e Eduardo um jovem advogado de 28 anos, e que nada
entendia de adolescentes, só pensava em cumprir os desejos expressos em um
testamento por um pai zeloso...
O último confronto ocorreu
em consequência do ingresso de Lilian na Universidade...
- Não quero mais estudar!
Quero viajar pelo mundo... Se, como você diz, o meu dinheiro está aplicado e
agora que fiz 18 anos sou maior de idade... Então posso fazer o que quiser...
“Caramba, o que a guria tem
de beleza tem também de teimosia...”, pensou Eduardo. Mas tentou explicar
racionalmente:
- Não é bem assim querida,
você ainda não tem controle sobre a herança... Isso só acontecerá quando você
fizer 21 anos... Mas você pode escolher a área em que vai se especializar e a
escola em que estudará...
- Quer dizer que eu sou
maior de idade... Posso fazer o que quiser... Mas sem dinheiro? Retrucou Lili,
petulante. Onde vou sem dinheiro, I-DI-O-TA, na sorveteria da esquina? E pensou
contrariada: “Ele é tão lindo, não podia fazer, também, todas as minhas
vontades? Mas não, tem que ser o Sr. Certinho...”
- Cuidado com o linguajar
menina... Mais respeito... E continuou com seu jeito calmo: - Sem dinheiro não
querida, por enquanto, o dinheiro pode ser usado apenas para a sua educação...
- Vamos deixar de chilique
Lili, decida-se logo ou você quer que eu decida por você? Você sabe que eu
posso fazer isso... Já fiz antes...
“Sabia que esse: Querida
para cá, querida para lá não ia durar muito... O Sr. Deixa Que Eu Resolvo Tudo,
entrou em ação...” Pensou.
- Qual vai ser agora? Vai me mandar para o fim do
mundo para se ver livre de mim? Gritou Lilian com os olhos cheios de
lágrimas... Tudo bem... Escolhe o que você quiser e me deixa em paz!
Eduardo se levantou e
abraçou Lilian tentando compensar uma situação difícil para os dois...
Lilian aceitou o abraço e
enxugou as lágrimas na camisa de Eduardo... Que disse com voz suave... Beijando
carinhoso o cabelo perfumado de sua pupila...
– Lili, Meu doce, isso vai passar
rápido querida... E você sabe que sempre poderá contar comigo. “Ai, adoro
quando ele me chama de Lili, ele é tão carinhoso.” Pensou Lilian.
E Eduardo
tentando consolar:
- E depois ainda acharemos graça dessas suas birras...
Lili sentiu “borboletas no
estômago” com os carinhos de Eduardo, mas ao ouvir suas últimas palavras, ficou
possessa... Afastou-se em um rompante, gritando:
- Eduardo, não sou mais
criança para fazer birra, ouviu bem! E saiu batendo os pés e as portas,
provando com sua atitude sua falta de maturidade...
Eduardo, enfim ficou com a
tarefa de escolher a escola... E como bom observador, nos meses em que conviveu
com Lilian, notou seu talento para as artes de forma geral... Então a
matriculou em uma escola de belas artes... Onde a menina permaneceu até
completar 21 anos... Voltando para casa apenas nas férias e feriados
prolongados...
Nessas ocasiões Eduardo e
Lilian jantavam juntos todas as noites e Ele percebia as mudanças em sua
pupila, enquanto ela crescia e se transformava em uma mulher sofisticada...
Lilian, apesar de sentir
aquele friozinho na barriga toda vez que Eduardo se aproximava, ainda sentia
aquela velha revolta e aquele desejo de retaliação... Contra quem? Contra a
vida, Contra o Escritório de Advocacia, Contra o Tutor mandão? Já não sabia
mais... Em um desses jantares, quando faltava apenas seis meses para o término
dos seus estudos, Lilian estava descontraída rindo de uma piada contada por
Eduardo, quando ele inesperadamente segurou sua mão e disse olhando em seus
olhos:
- Lili, você se tornou uma linda mulher e espero que continuemos amigos
depois que eu não for mais responsável por você...
Lilian sentiu seu coração
dar um pulo e ficou séria, pois não conseguiu identificar que estranho
sentimento a atingiu...
Eduardo a levou para a
mansão, onde na verdade só era usado um quarto e na porta, quando foi beijar
Lili no rosto, seus lábios se encontraram inesperadamente em um beijo suave... Lili,
sentiu-se flutuar, como se todos os problemas e tristezas dos últimos 4 anos
tivessem desaparecido com este contato delicado... Eduardo ficou constrangido,
mas foi atingido da mesma forma... E disse:
- Desculpe-me... Essa única palavra
fez aflorar o temperamento rebelde de Lili que retrucou disfarçando a mágoa:
- Desculpar o quê Eduardo?
Ter me beijado agora ou ter sido um déspota por todos esses anos?
- Lili, Vai começar? Eu só
fiz o que achei que era o melhor para você... Eu não tinha escolha...
- Sempre há uma escolha,
Eduardo... Disse Lili fechando a porta suavemente. Mas intimamente concordou
que a Escola de Belas Artes foi a melhor escolha, pois, estudar e desenvolver
seu dom natural foram uma fonte de inegável prazer... Além de lhe proporcionar
uma atividade lucrativa... Talvez nos leilões de artes, como futura marchande...
Ou quem sabe, como uma artista, pois seus quadros sempre receberam as melhores
críticas na escola...
Seis meses depois, ao
concluir os estudos e voltar para casa, quem está à espera de Lilian na mansão?
O próprio...
Lilian torceu os lábios em
um sorriso debochado e disparou:
-Veio dar as últimas ordens?
Completo 21 anos amanhã... Que-ri-do... E pensou: Preciso ter uma desforra...
Depositou a bolsa sobre a
pia da cozinha e se deu conta do vidro de sonífero dentro dela...
O médico da escola sempre lhe
dava um para a viagem, pois ela passava muito mal em longas distâncias...
Uma ideia surgiu e antes de raciocinar com
mais sensatez colocou-a em prática...
Abriu a geladeira em busca
de uma bebida que disfarçasse o gosto do sonífero e se deparou com a bebida
perfeita... Uma garrafa de vinho...
Reparou na quantidade de
papéis arrumados metodicamente sobre a mesa e na fisionomia linda e ao mesmo
tempo séria do fulano...
Pegou o vinho, se virou com
um sorriso convincente nos lábios e disse:
- Vamos brindar a minha
liberdade?
Sem que ele percebesse
derramou o sonífero na taça e despejou o vinho por cima...
“O idiota arrogante acha que
vou confraternizar com o inimigo...” Pensou Lili, decidida...
“Finalmente a menina amadureceu...
Já não era sem tempo... Agora posso explicar melhor todas as decisões que
precisei tomar...” Pensou Eduardo.
- Venha querido, sente-se
aqui nesta poltrona mais confortável...
“Nossa... Tão meiga e
atraente...” Continuou Eduardo em seus pensamentos agradáveis...
E sentou-se satisfeito com a
taça de vinho em uma das mãos e alguns documentos na outra... Pronto para
discorrer sobre os negócios da família cuja última representante era esta
beldade de olhar enigmático... Embevecido por tamanho charme, continuou: “Não
posso me sentir atraído, ela foi minha pupila e agora é uma cliente...” E disse
em voz alta:
- Podemos então começar a
estudar a documentação que eu trouxe e analisar as possibilidades para o
futuro?
- Sim querido, mas antes me
conte as novidades aqui do Brasil e beba seu vinho... Vamos brindar: A nossa saúde
e a uma longa amizade entre nós... E pensou agitada: “Beba logo... Algumas
fotos comprometedoras na internet serão uma boa revanche...”
E Eduardo esvaziou a taça em
um único gole... Ansioso para esclarecer todas as dúvidas de sua mais estimada cliente...
“Ai meu Deus, o que estou
fazendo?” Lili olhou assustada para a taça vazia que Eduardo lhe devolveu e deu um
golinho na sua própria bebida... Disfarçando o nervosismo...
Eduardo começou a folhear os
papéis e a falar sobre bancos desconhecidos, aplicações feitas ao longo dos
anos, mas não conseguiu ir muito longe. O efeito do sonífero foi rápido e
Eduardo recostou na cadeira tonto, deixando cair as folhas que tinha nas mãos e
ao fechar os olhos fixou-os nos de Lili em uma indagação muda... “o que você
fez desta vez?”
Lili, sem saber o que
fazer... Pensou: Quando ele acordar vai ficar uma fera.... O que eu faço agora?
Correu para a sala, abriu os
armários em busca de uma máquina fotográfica, mas só encontrou uma filmadora
antiga... Isso serve... Depois eu edito... Ligou a filmadora e se aproximou de
sua presa meio adormecida...
Eduardo meio grogue tentou
abrir os olhos...
Lili se assustou, pois,
pensou que ele estivesse completamente inconsciente... Mas parece que o efeito
do sonífero não foi tão eficaz nele... “Talvez por ser bem maior que eu...” Pensou
Lili...
Mesmo assim, subiu as
escadas correndo em busca de alguns lenços para amarrá-lo e voltou rapidamente,
percebendo que o efeito do sonífero estava passando, amarrou-lhe os pulsos um
em cada lado da poltrona... Tirou-lhe os sapatos e as meias com a intenção de
marrar-lhe os pés, mas não achou necessário... e pensou: “Pronto... Assim ele
não poderá escapar...” riu divertida de seu próprio nervosismo...
Começou então a abrir os
botões da camisa de Eduardo...
Enquanto ele, ainda sob o
efeito do sonífero, tentava abrir os olhos e perguntar:
- O quê está fazendo
Lili querida? Esse tratamento carinhoso mexeu com os sentimentos de Lilian, mas
ela continuou com sua tarefa... Reparando nos pelos do peito de Eduardo, tão
macios ao toque... Preciso tirar toda a roupa dele... Pensou decidida... E
continuou com sua exploração inconsciente... Alisou o peito enquanto desabotoava
toda a camisa, abriu e desceu as mangas pelos braços musculosos... Nossa que
lindo... Desceu para o cinto, acompanhando o caminho de pelos que percorria todo
o abdome reto... Desabotoou o cinto e quando olhou para cima deparou-se com o
olhar esverdeado de Eduardo fixo nos seus...
- Que loucura é essa Lilian?
Com o susto Lili caiu sentada entre as pernas de Eduardo... Mas não deixou que
ele percebesse seu nervosismo, e disse atrevida:
- Vou postar na internet suas imagens comprometedoras, é isso...
- Vou postar na internet suas imagens comprometedoras, é isso...
Eduardo riu e disse
divertido: - Que ideia doida, querida...
Mas deixou de rir, quando
Lili se aproximou e começou a desabotoar sua calça...
- Não faça isso Lili... Meu
doce...
Ai, ai, ai... Novamente esse
tratamento carinhoso... Por que ele sempre faz isso?
Eduardo se inclinou para
frente e beijou o alto da cabeça de Lili, em um evidente pedido de trégua...
Lili olhou para cima e sem
conseguir conter-se beijou profundamente os lábios de Eduardo como sempre quis
fazer... Todas as mágoas infantis esquecidas neste momento de revelação, quando
percebeu que seus verdadeiros sentimentos foram sempre obliterados por seu
temperamento explosivo...
Eduardo, ainda meio tonto
correspondeu ao beijo dizendo em seu ouvido... Querida eu te amo, tentei evitar
este sentimento, mas, muitas vezes desejei beijar seus lábios desta forma...
Lili sentou-se no colo de
Eduardo e percebeu sua excitação...
Eduardo tentou disfarçar,
mas Lili riu divertida de seu constrangimento e disse em seu ouvido...
- Que
menino mau! Eduardo riu também e olhando nos olhos de Lili pediu:
- Agora me
desamarra Lili, Eu te amo e pelo jeito você também tem sentimentos por mim...
- Sim, querido, preciso
reconhecer para você e para mim mesma que meu coração é seu desde os 14 anos.
Quando você vinha aqui em
casa e ficava trabalhando no escritório com papai, eu só entrava lá para você
me notar... Mas nunca deu certo...
- Querida você era apenas
uma adolescente, mas sempre te achei muito bonita e dizia isso para seu pai...
Com o tempo e observando seu amadurecimento, comecei a te amar... Mas, agora me
desamarra... sim?
Rindo Lili disse:
- Se eu te
desamarrasse agora, não seria eu, não é? E começou a beijar Eduardo, no rosto,
nos lábios, nas orelhas, no peito... Olhando em seus olhos e observando o fogo
da paixão em sua fisionomia contorcida de prazer, Lili começou a se afastar e
retirar as roupas de forma lenta e provocante...
Retirou a camiseta pela cabeça,
desfazendo de vez o coque que prendia frouxamente seus longos cabelos, que se
espalharam pelos ombros estreitos, cobrindo sensualmente os seios nus e com os
mamilos eriçados... A cinturinha fina marcada pela calça de malha foi um
deleite para os olhos ávidos de Eduardo... Que gemeu: Por favor querida...
- Por favor o quê, querido,
visto a camisa ou tiro as calças? Sorriu Lili, sedutora, e completou: - Quero
sentir essa sua boca deliciosa em todos os lugares...
E se aproximou oferecendo os
seios para Eduardo sugar, o que ele fez sem nenhuma hesitação, soltando as mãos
segurou Lili pela cintura e acomodou-a no colo surpreendendo-a...
- Querido, você está solto?
- Meu doce, acha mesmo que
um lencinho ia conseguir me prender a esta cadeira? O sonífero me deixou meio
zonzo, mas só deixei você continuar, para ver até onde ia sua ousadia... E olha
só o premio que consegui...
- Mas que dissimulado...
Eduardo! Pode me soltar agora mesmo!
- Nada disso, agora que sei
que você me ama você é minha... E beijou Lili, acariciando seu corpo,
levantou-se com a “princesa” no colo e se dirigiu para a sala depositando-a no
tapete com todo o carinho, retirou as calças exibindo sua masculinidade
completamente ereta e deitou-se ao lado de uma Lili, ao mesmo tempo ávida e temerosa...
Eduardo começou a beijar
todo o corpo de Lili, dizendo suavemente: - Como sequestradora você não teve
sucesso querida, mas saiba que serei seu prisioneiro para sempre, diga-me o que
queres que eu faça? Satisfarei todos os seus desejos...
- Beije-me com paixão e me
ame com ternura...
E Eduardo fez exatamente
isso, em uma noite de prazeres inesquecível, no início de um relacionamento
mesclado com o dinamismo de Lilian e pela sensatez de Eduardo e temperado com a
paixão dos dois...
Anita